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Domingo XI do Tempo Comum - ano A - 18 de junho de 2017

1 – Vivemos uma sequência de solenidades que nos envolvem com o essencial do mistério pascal: Ascensão do Senhor e Pentecostes, que encimam o Tempo de Páscoa, Santíssima Trindade e, na última quinta-feira, Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, dentro do Tempo Comum ou Ordinário, que entretanto retomamos. O ano litúrgico sublinha os diferentes aspetos do mistério da redenção. O tempo comum ajuda-nos a perceber que o quotidiano, com as suas rotinas e com a sua normalidade é também tempo de salvação. Jesus está presente e atuante no meio de nós, na história. Na verdade, em cada Domingo, na Eucaristia, celebramos a Páscoa (semanal), vida nova em Cristo morto e ressuscitado.
       Neste XI Domingo do Tempo Comum, ciclo de leituras do ano A, a primeira oração da Eucaristia com a oração de coleta: «Deus misericordioso, fortaleza dos que esperam em Vós, atendei propício as nossas súplicas; e, como sem Vós nada pode a fraqueza humana, concedei-nos sempre o auxílio da vossa graça, para que as nossas vontades e ações Vos sejam agradáveis no cumprimento fiel dos vossos mandamentos».
       A oração predispõe-nos a escutar a Palavra de Deus e a acolher a Sua graça misericordiosa. Sob os auspícios da bênção divina, o compromisso por corresponder à vontade de Deus, cumprindo os Seus mandamentos. Os mandamentos não são exigências arbitrárias de Deus para nos sacrificar, são antes uma orientação, uma proposta de vida, que nos conduzirá ao bem, à verdade, à justiça, que nos conduzirá a fazer novas todas as coisas, preenchendo a nossa vida com o amor e a compaixão em que Jesus nos introduz.


       2 – Eu não vim para condenar, mas para salvar, reconciliar, incluir, para reconduzir para Deus todos os seus filhos dispersos pelo pecado, pela exclusão, pelo egoísmo e pela inveja ou pelas circunstâncias da vida.
       Num minuto pode mudar-se a vida de alguém. Pode mudar-se a própria vida. Temos uma vida inteira para nos deixarmos converter por Deus, mas como não sabemos nem o dia nem a hora, é bom desde já colocar-nos à escuta para percebermos que Deus nos chama a viver na grandeza e na generosidade, na alegria e no serviço, no amor e na ternura que nos redimem.
       Ao longo de três anos de vida pública, Jesus deixa uma marca indelével de bem-fazer e de bem-dizer. Um pouco mais de trinta anos a treinar-se, vivendo em família, junto de Maria e de José e dos restantes familiares, junto da comunidade de Nazaré. Como o fruto que amadurece, chegado o tempo, abertamente, Jesus anuncia o Reino de Deus que n’Ele se realiza. Ele é o Reino de Deus que chega até nós. Ao longo desse tempo, espalha a magia da doçura e da delicadeza, da bondade e do perdão. Em palavras, em gestos, em obras. Faz opções. As Suas opções levam-n'O às periferias da existência, aos doentes, aos pecadores, aos publicanos, aos estrangeiros, mulheres e crianças, aos desprezados e excluídos da sociedade, esquecidos pela política e pelo poder, aos secundarizados pela religião e pelos grupos religiosos. A opção de Jesus alarga-se a todos. Preferir não é excluir. Trata-se de incluir, de elevar, de devolver a dignidade, aos que estão abaixo, aos que são desconsiderados, aos que não contam, social, política ou religiosamente.
       A opção preferencial pelos mais pobres evidenciada por Jesus nada tem de descriminação nem com moralidade. É uma opção de todos chamar, de a todos incluir, de a todos reconhecer como irmãos. A Sua há de ser também a nossa opção, para nos tornarmos verdadeiramente Seus discípulos.


       3 – A misericórdia de Deus é visível em Jesus Cristo. Ele traz-nos Deus. Ele dá-nos Deus. Ele é Deus no meio de nós. Deus feito Homem, encarnado, assunção da nossa humanidade. Não vem por de cima, não vem de fora! Ele nasce da Virgem Maria, pela ação do Espírito Santo, para ser um de nós, para caminhar connosco.
       Jesus vai à frente. Mostra-nos o caminho. Olha para as multidões e enche-Se de compaixão. São como ovelhas sem pastor. Cansadas e abatidas. Não tem mãos a medir. Mas, como um de nós, Jesus está limitado pelo tempo e pelo espaço. E, por conseguinte, chama e envia. Chama os Doze e dá-lhes o poder de curar, de expulsar os espíritos impuros, dá-lhes o poder para serem bênção para todos, especialmente para as pessoas mais frágeis, fustigadas pela doença, pelos sofrimentos, pelos demónios, pelos vazios, pela solidão, pela incompreensão.
       Tudo começa na oração. É a primeira resposta e o primeiro chamamento. Colocar-nos diante de Deus, confiar-lhe a nossa vida, com as suas alegrias e esperanças, com as suas incompreensões e limitações. Ele bem sabe o que precisamos, mas a oração faz-nos ver com o olhar de Deus, com a Sua vontade, com o Seu amor. Rezamos, não para que Deus faça o que podemos fazer, mas para que nós façamos o que está ao nosso alcance, dando, dando-nos. De graça recebemos, demos de graça. Assim para os Doze. Assim para cada um de nós. Na oração, o encontro com o coração de Deus, onde nos reconhecemos como irmãos em Jesus Cristo. No coração de Deus, para que o nosso coração seja dilatado e o preenchamos de amor, o preenchamos das pessoas que caminham connosco.
       «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara... Ide... Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça, dai de graça».


       4 – A oração e o envio. O compromisso com os mais desfavorecidos. São os doentes que precisam de médico. São os pecadores que precisam de perdão, que precisam de Jesus. Deus queira que nos sintamos pecadores, nos sintamos precisados de Jesus e dos Seus cuidados!
       A oração e a escuta. Não podemos saber sem escutar, não podemos aprender sem abrirmos a mente e o coração à misericórdia que vem de Deus e aos apelos que nos chegam dos irmãos. Deus chamou Moisés e Moisés subiu à presença de Deus. Dois movimentos. Deus que chama (1) e nós que respondemos (2). As credenciais de Deus: «Vistes o que Eu fiz ao Egipto, como vos transportei sobre asas de águia e vos trouxe até Mim». E o chamamento/envio: «Agora, se ouvirdes a minha voz, se guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos. Porque toda a terra Me pertence; mas vós sereis para Mim um reino de sacerdotes, uma nação santa».

       5 – Primeiro Deus nos criou, nos amou e nos salvou. Foi o Seu imenso amor que explodiu criando o mundo, criando-nos como Sua imagem e semelhança. Criou-nos por amor e deu-nos asas para voar, para viver, para cuidar da terra que habitamos e uns dos outros. A liberdade implica responsabilidade. Mas a nossa limitação, o nosso egoísmo, a nossa forma de pensar e de agir muitas vezes prevalece sobre os desígnios de Deus e de tudo o que nos efetiva como família.
       O afastamento de Deus e dos irmãos leva a ruturas, à violência e à ruína da humanidade. Deus, contudo, não desiste de nós, mantém-se por perto, como um Pai ou uma Mãe, que, embora respeitando a liberdade dos filhos, está pronto a intervir se lhe for solicitado ou, de forma criativa, indo apontando um caminho de libertação, uma saída.
       Na segunda leitura, o Apóstolo Paulo põe em evidência o mistério de amor e de salvação operado por Jesus Cristo que nos foi dado por Deus e que Se entrega a nosso favor. «Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. Se, na verdade, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, depois de reconci­liados, seremos salvos pela sua vida. Mais ainda: também nos gloriamos em Deus, por Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem alcançámos agora a reconciliação».
       O Apóstolo lembra como é difícil alguém dar a vida por um amigo, quando mais por um inimigo. Ora Jesus dá a Sua vida por todos. Por mim e por ti. Por nós. Pelos violentos. Pelos pecadores. Por bons e maus, recriando o ambiente favorável para nos sentirmos impelidos a regressar ao Seu amor.

 

Pe. Manuel Gonçalves

Textos para a Eucaristia (A): Ex 19, 2-6a; Sl 99 (100); Rom 5, 6-11; Mt 9, 36 – 10, 8.
Domingo XVI do tempo Comum - ano A - 23 de julho de 2017

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