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Solenidade da Ascensão do Senhor - ano A - 28 de maio de 2017

1 – Envio e promessa. Missão e compromisso. Ir e anunciar. Batizar e fazer discípulos. Em todo o tempo e em toda a parte, a todas as pessoas.
       Na Diocese de Lamego, desafio lançado pelo nosso Bispo, D. António Couto, e lema do ano pastoral em curso: "Ide e anunciai o Evangelho a toda a criatura" (Mc 16, 15), numa perspetiva missionária que se alarga à ecologia. Refira-se o enquadramento que lhe tem dado o Papa Francisco, nomeadamente na Carta Encíclica Laudato Si'. A ecologia há de ser integral e humanizada. O cuidado pela natureza pressupõe e exige o cuidado, o serviço e o respeito pela pessoa humana e sua dignidade. Sem pessoa nem sequer é possível falar em ecologia.
       O Evangelho é Boa Nova para toda a humanidade e para o próprio Universo. O louvor e a glória de Deus são a primeira vocação do ser humano e, por maioria de razão, da pessoa crente. A natureza e os animais integram o louvor, pois exprimem a beleza e a diversidade, a simplicidade e complexidade do Universo criado. A pessoa, em conformidade com os relatos da criação, coroa a obra saída do coração e das mãos de Deus e a quem Deus confia todo o universo. O Jardim é lugar da sadia convivência e da harmonia desejável entre o ser humano e todas as espécies animais e vegetais.
       A Encarnação de Jesus, Deus feito Homem, eleva, novamente, para Deus, todo o Universo, dando precedência a Deus para dar prioridade à vida humana, considerando-a como dom divino, como tarefa que nos responsabiliza uns com os outros. O que recebemos de graça – a criação inteira – é para darmos gratuitamente às gerações contemporâneas e às vindouras.
       Com a morte e ressurreição, Jesus faz novas todas as coisas. Novos céus e nova terra. A missão evangelizadora tem este propósito, transparecer e testemunhar o amor de Deus manifestado em Jesus Cristo, para que efetivamente se instaure o reino de Deus.

 

       2 – A versão mateana do Evangelho, hoje proclamado, no envio final e decisivo de Jesus, faz referência à saída, ao movimento – ide – ao ensino – ensinai – à totalidade das pessoas – a todas a nações – à construção da comunidade dos crentes – batizai-as. «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. Ide e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».
       Para alguém se converter, para seguir Jesus, para aderir ao Evangelho é necessário que alguém O anuncie e O dê a conhecer. E nós, que já O conhecemos, pela Fé, temos a missão de O dar a conhecer, em palavras e com a nossa vida. A adesão a Cristo é firmada pelo sacramento do Batismo, pela inserção no Seu Corpo que é a Igreja. Mas não termina aqui, prossegue com o ensino (catequese, formação), para que todos possamos cumprir a Sua vontade, solidificando o que nos identifica com Jesus e as formas concretas em que podemos O podemos testemunhar, mostrando que Ele vive e está no meio de nós.

       3 – São Lucas, no livro dos Atos dos Apóstolos e que nos tem sido servido como primeira leitura, faz-nos saborear com tempo o acontecimento único do mistério da redenção, morte e ressurreição/ascensão de Jesus, permitindo-nos liturgicamente acentuar um e outro aspeto do mistério, mas com o mesmo fito de nos levar a viver e a anunciar a Boa Notícia.
       Depois da Sua paixão, Jesus aparece vivo aos Apóstolos, durante 40 dias, isto é, todo o tempo necessário para os preparar para que, doravante, assumam eles a missão de anunciar o Evangelho. Jesus reaviva a promessa firmada no Pai: sereis batizados no Espírito Santo. Percebendo que Jesus vai partir, chegam as perguntas e a esperança: é agora que o Reino de Deus vai aparecer em todo o seu esplendor?
       A resposta de Jesus é contundente: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». O importante não são as datas, mas o que cada um de nós pode fazer para tornar visível o reino de Deus. Recebe(re)mos o Espírito Santo para nos tornarmos testemunhas de Jesus em toda a parte, em todo o tempo, a todas as pessoas, em todos os ambientes.
       Percebe-se então que depois da morte e ressurreição de Jesus, os apóstolos terão ficado mais ou menos de braços cruzados à espera que o reino de Deus se impusesse com estrondo. Deus impondo-Se ao mundo, destruindo-o e salvando aqueles que tinham aderido a Jesus Cristo. Relembra-nos São Lucas que Jesus, à vista deles e de nós, elevou-se para lá das nuvens, deixou de estar fisicamente visível. Pudemos então escutar a voz vinda do Céu, através de dois homens vestidos de branco: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».
       Não há mais tempo a perder, à espera que anoiteça ou faça sol, é tempo de partir. É tempo de lançar as mãos ao arado e lavrar a terra. É tempo de abraçar a Cruz e levar a Luz a toda a gente. É tempo de deixar crescer em nós a semente plantada para que através de nós frutifique a Palavra. Agora é a nossa vez. A missão é de Cristo. Mas através de nós, mantendo-se ligado pelo Espírito Santo que nos dá. Qual videira que alimenta os ramos para que este deem fruto em abundância. Jesus a vide e nós os ramos. Daremos tanto mais fruto de qualidade quanto mais estivermos ligados a Jesus Cristo.

 

       4 – Na saudação à comunidade de Éfeso, São Paulo invoca a bênção de Deus com os Seus dons: «O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de revelação para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados».
       Recorda-nos o Apóstolo, fundamentando a nossa esperança, que Deus tudo pode, como se verifica com o mistério da morte e sobretudo da ressurreição de Jesus Cristo, que o Pai colocou acima de todo o poder e acima de todo o nome, submetendo-Lhe todas as coisas, «e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos».
       A nossa esperança assenta em Deus. É um fundamento sólido, visível em Jesus Cristo. Deus não engana. Peçamos-lhe com fé: «Deus omnipotente, fazei-nos exultar em santa alegria e em filial ação de graças, porque a ascensão de Cristo, vosso Filho, é a nossa esperança: tendo-nos precedido na glória como nossa Cabeça, para aí nos chama como membros do seu Corpo».
       Precede-nos e impele-nos num movimento que nos irmana e nos compromete com os outros no tempo que decorre, tempo de graça e de salvação, de conversão e de "militância" por um mundo mais solidário e fraterno.

 

Pe. Manuel Gonçalves

 

Textos para a Eucaristia (ano A): Atos 1, 1-11; Sl 46 (47); Ef 1, 17-23; Mt 28, 16-20.

Domingo XVI do tempo Comum - ano A - 23 de julho de 2017

1 – Jesus, rodeado da multidão, continua a falar em parábolas. As que hoje nos apresenta são mais algumas pérolas preciosas que devemos refletir, partilhar, traduzir para a nossa vida, adaptá-las ao nosso relacionamento com os outros, para que não desperdicemos o bem só porque em determinada altura se afigurou o mal ou prevendo sacrifício e sofrimento; ao invés, sejamos resilientes...  VER +

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